O diabo, como está relatado no evangelho de Mateus, capítulo 4, depois de uma conversa com Jesus Cristo, deixou evidentes suas estratégias de ação. Seu primeiro método empregado naquele diálogo foi colocar em dúvida o interlocutor: “Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães”.
Nesta fala, nota-se que o tentador é crente no poder de Cristo em fazer pedras virarem pães, aliás, o diabo crê e estremece diante do Criador do Universo. O que estava em jogo no diálogo era conseguir levar o bate papo pelos meandros da dúvida. Foi assim que satanás derrubou Eva e estava certo de que esse método era infalível quando o assunto era arruinar o ser humano.
Passados quase dois mil anos, o método da dúvida ganha sinônimo de desafio, sobretudo entre jovens quando querem iniciar outro colega no mundo das drogas e da criminalidade. “Se você é nosso amigo, use só um pouquinho!”; “Se você é dos nossos, vá lá e faça o serviço!”. Estas são frases impregnadas do maldito SE que o diabo conhece muito bem e sabe que seu uso em determinadas circunstâncias funciona para detonar a vida das pessoas.
Outra técnica diabólica é o hábito nocivo de se viver 24 horas do dia comparando pessoas e valores. Não é à toa que ele levou Cristo ao lugar mais alto do templo e mostrou as belezas, glórias e riquezas do mundo. Imagino um filme sendo exibido diante do Mestre, comparando os tempos em que se andava de camelo com um futuro cheio de aviões a jato e carros velocíssimos!
Quantos de nós não estamos em tristeza e depressão tão somente porque a mente vive comparando os tempos bons do passado com os dias difíceis de hoje? Mas com Cristo o diabo fez diferente, mostrou um futuro brilhante, de alegria, felicidade, poder, glória. Com o Mestre de Nazaré a estratégia maligna não funcionou porque Jesus (Yeshua) não se deixou levar pela tentação.
Viver comparando pessoas, coisas e valores tem um lado satânico quando essa prática nos faz superficiais e moralmente pequenos demais. Há quem deixe de comer normalmente, porque deseja ter o corpinho de modelo. Existe quem se bronzeia todo dia simplesmente porque não gosta da cor da pele; outros não aceitam ser negros e fazem de tudo para se comportar como brancos. Há quem se compara com o ídolo da TV ou da música internacional e se veste e anda como Elvis, John Lennon e tantos outros. Também existe quem admira bandidos famosos e age como eles. Mas a Bíblia diz que precisamos ser como Cristo foi e não como o diabo quer que sejamos!
Sem dúvida, a comparação tem o lado bom, mas aqui nos referimos a ela enquanto mecanismo diabólico empregado para destruir valores e vidas. Ou comparando para mais, para menos ou igualando valores e pessoas, assim satanás age na sociedade. Há quem se sinta maior que os outros e vive a humilhar colegas; também existem os que se sentem impotentes, pequenos demais diante dos amigos e ainda há aqueles que desejam ser iguais a Nero, Hitler e a tantos outros personagens que assinaram e ainda assinam páginas tristes na história da humanidade.
Por último, o diabo emprega o método da adoração própria, pois queria que Jesus Cristo o reverenciasse, curvando-se. Neste ponto podemos dizer que um indivíduo que exige adoração dos outros está fora de suas faculdades mentais.
São muitas as formas de culto a si mesmo. Uma delas é adoração incontida do próprio corpo, sem limites, sem observância de valores. Tudo bem que tenhamos amor próprio, mas culto a si mesmo é a mais perigosa ferramenta que o diabo emprega, principalmente quando o corpo humano está em pleno vigor. É comum pessoas com essa síndrome dizerem aos pais e amigos: “A vida é minha, faço dela o que bem entender!”
Enfim, todo cuidado é pouco, pois o diabo, embora tenha vários métodos, privilegia três: a dúvida, a comparação e adoração própria. Ele duvidou da justiça divina, pois achava que devia receber adoração igual ao Criador.