Jonas de Souza Silva
Fazendo comparações despretensiosas, pode-se dizer que a sociedade humana comporta-se de duas formas. Ora é mãe gentil, ora madrasta cruel.
Quando se pensa em mãe, a sociedade pode ser comparada a um útero enorme, onde são geradas pessoas supostamente para viver em harmonia entre si, respeito, altruísmo cooperação mútua.
No entanto, de útero confortável e aconchegante, vê-se que setores sociais são tratados muito mal, banidos do processo de cidadania, completamente discriminados; deixados à margem do direito e da igualdade.
Tanto é verdade, que grupos indígenas, negros e pobres, por exemplo, não podem enxergar em nossa sociedade civilizada um modelo de mãe gentil, pelo contrário, em se tratando de Brasil, fica até difícil para eles cantarem o Hino Nacional quando olham para a nação como madrasta historicamente cruel.
Afunilando este tema, trazemos a comparação para dentro das nossas casas. É no lar que crianças e jovens são formados para o convívio social. Nele os pequenos devem sentir-se confortavelmente bem, como se estivessem seguros no útero materno.
Falando em lar, esta palavra vem do latim lare, cuja etimologia tem a ver com “a parte da cozinha onde se acende o fogo... Certamente, isso dá idéia de lugar íntimo, aconchegante. Daí, vem a palavra "lareira", onde a família se reunia para conversar, ao redor do fogo, principalmente nas noites e dias frios”, fonte: http://miriamz.sites.uol.com.br/Familia/ValorFamilia.htm
A partir deste conceito, como imaginar um lar sem calor humano, sem as chamas do amor? Que lar seria esse onde a violência faz o coração das nossas crianças irem se petrificando pela frieza com que são tratadas? Como entender que o lar é a célula mãe da sociedade, se nossos filhos, na maioria das vezes, enxergam a família como madrasta cruel da história de João e Maria?
Sei que existem madrastas mil vezes melhores do que muitas mães, mas aqui tomo a palavra em seu sentido pejorativo mesmo, pois sabemos que o amor doméstico é resultado das longas convivências com nossos filhos e no caso da maioria das madrastas e padrastos isso se dá depois que crianças e garotos já são bem crescidos, descrentes do afeto familiar pelo muito que sofreram.
Também ouvimos dizer que a escola é extensão do lar. Mito, pois mesmo que funcionários públicos se especializem para ofertar educação de qualidade e saudável às crianças e jovens, não são obrigados a ter “útero social”, embora devessem. Quando muito, temos é saco para tolerar adolescentes enfermos psicossocialmente falando.
Portanto, precisamos repensar os conceitos belos de sociedade tão divulgados em livros científicos e recheados de teorias maravilhosas. Em particular o Brasil, não se pode imaginar uma Pátria Mãe Gentil completamente neurótica que, a qualquer momento, resolve nos abortar pelos mecanismos da violência em todas as suas formas.
Queremos uma sociedade mãe, menos uma MÃE DRÁSTICA!
quarta-feira, 22 de abril de 2009
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