Árvore, na linguagem bíblica, aparece sempre relacionada à figura humana. No Éden, o Criador do Universo criou árvores diversas e colocou no meio do jardim a Árvore da Vida (Cristo) e a do bem e do mal (o diabo, a árvore mista). Também, nos Evangelhos, planta representa pessoa, tanto que a “A árvore que não der fruto é cortada e lançada no fogo..."
Enquanto a Bíblia diz que árvore infrutífera deve ser arrancada, há muita religião por aí que está se expandindo graças a volumosas doações em dinheiro e bens materiais feitas por pessoas cujo caule e raiz estão quase ou totalmente podres.
É triste ouvir testemunhos de que irmão fulano doou milhares de reais para construção de templos, quando na verdade a igreja sabe que essa riqueza foi adquirida ilegalmente ao longo dos anos e que impostos foram sonegados e trabalhadores oprimidos na construção de impérios comerciais. No site http://recantodasletras.uol.com.br/mensagensreligiosas/1181374 lemos o seguinte sobre a vida do personagem Zaqueu:
"... não media esforços para levar vantagens e iludir os menos favorecidos, até mesmo os grandes negociantes, e, portanto, tornou-se muito rico detentor de muitas propriedades, tudo isso conseguiu de maneira ilícita.Imaginemos Zaqueu separando as moedas que arrecadava dos impostos: - uma para o governo, duas... três... para mim”.Assim acontecia sempre, e ganancioso que era não perdia ocasião de iliçar alguém, fazendo uso do cargo que exercia..."
Curioso que esse homem da Bíblia, apesar do caráter socialmente inadmissível, tem nome muito bonito, pois Zaqueu significa "puro”!
Este assunto me meio à mente porque tenho ouvido, incessantemente, nas emissoras de rádio, a execução da música "Faz um milagre em mim", de autoria de Kelly e Joselito, mas interpretada pelo esposo dela, o cantor e compositor mineiro Régis Danese. A letra começa dizendo:
Como Zaqueu eu quero subir
O mais alto que eu puder
Só pra te ver, olhar para Ti;
E chamar sua atenção para mim.
Eu preciso de Ti, Senhor
Eu preciso de Ti, Oh! Pai
Sou pequeno demais
Me dá a Tua Paz
Largo tudo pra te seguir.
Sem querer comentar a linda estrofe desta música, chamo a atenção para o verso que diz: "Largo tudo pra te seguir". Isto porque os Zaqueus das nossas igrejas relmente querem seguir Jesus, mas não abrem mão de fortunas adquiridas ilegalmente!
Quanto ao Zaqueu bíblico, esse não era apenas homem malandro, sagaz, espertinho, nó cego. Felizmente ainda havia resquício do bem em seu coração, pois sua consciência o atormentava e sempre o condenava pelo enriquecimento ilícito. Somente um milagre poderia tirá-lo da condenação que o tribunal da sua consciência o sentenciava a cada dia, pois o dinheiro não lhe trouxe a verdadeira felicidade, pelo contrário, funcionava como tormento para sua mente cansada de tantos erros. Neste caso, só o Criador do Universo poderia mexer com a estrutura emocional desse homem e mudar sua vida para sempre.
Como se sabe, Zaqueu era de baixa estatura, mas carregava arraigado em sua alma o gigante da corrupção e precisava urgentemente se libertar desse inimigo interior caso quisesse ser feliz verdadeiramente. Que fazer, então?
Somente um milagre poderia transformar a vida desse homem. A receita para a mudança teve início quando ele, pela primeira vez na vida, subiu em uma árvore de verdade e, sem pisar nos outros, conseguiu enxergar a cura para sua alma na pessoa de Jesus Cristo de Nazaré, que tinha as palavras certas para o milagre certo.
A curiosidade em ver Cristo passar desencadeou uma série de vitórias na vida de Zaqueu. Ao subir na árvore, começou descer do orgulho e avareza. Avisado por Jesus de que iria a casa dele, desceu depressa, não pensou duas vezes, saiu para preparar a recepção e o terreno do coração para quando o Mestre fosse mais tarde à sua residência. E o milagre completo? Quando ocorreu?
O milagre ocorreu primeiro no coração e somente se concretizou quando Zaqueu, após receber Jesus em casa, resolveu devolver às pessoas e ao governo tudo que havia defraudado, roubado.
A história desse pequeno grande homem é interessante porque há muitas pessoas em nossas igrejas que choram aos primeiros acordes da música “Faz um milagre em mim”, mas não têm coragem e dignidade suficiente para tomar a decisão de devolver ao governo ou aos pobres tudo que roubou durante anos com a prática da sonegação de impostos, do caixa dois, dos rolos nos negócios e outras práticas criminosas.
Sim, senhores, gostaríamos que não houvesse choro apenas; que não fingíssemos arrependimento com as falsas conversões e batismos precipitados. Que não fingíssemos por meio de doações em dinheiro para as igrejas, enquanto continuamos a pisar os pobres e as instituições a fim de manter os nossos negócios!
Portanto, enquanto estivermos sobre o galho podre da corrupção, apenas vendo Jesus de longe em nossos cultos religiosos, nenhum milagre acontecerá. Em vez disso, corremos risco de cair com a árvore da avareza e o tombo não é fácil!
Ou descemos do galho podre e abraçamos Jesus para uma nova vida, ou paramos de encher a paciência do Salvador com orações e lágrimas hipócritas.
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